sexta-feira, 19 de setembro de 2008

MEU LIVRO DA WEB

A PARTIDA


Dia 20 de novembro de 1987, terminei de ajeitar minha pequena bagagem, recebi ordem do Cel Rolim para deixá-la pronta pois a qualquer momento a viagem ocorreria sem mais avisos. Naqueles dias cheguei até mesmo a comentar com o chefe responsável pela repartição onde eu trabalhava, que precisaria me ausentar por um pequeno período, expliquei os motivos, ele riu muito, e mesmo não acreditando no meu propósito, afirmou: – “te libero de assinar a folha de ponto nos dias que forem necessários, mas eu quero, após o seu retorno, ver o passaporte registrando a sua viagem, do contrário você vai se dar muito mal”.

Naquela mesma noite, havia me deitado cedo, adormeci rápido, mas logo acordei com fortes pancadas na porta, ajeitei -me, abri a porta, era o Cel Rolim com uma pequena mochila de viagem na mão. Já tinha deduzido pelas batidas frenéticas na porta, que era meu velho mestre, pois ele sempre que chegava não apertava a campainha, batia insistentemente até que eu viesse atendê-lo. O que eu não esperava era a sua chegada à minha casa próximo da meia noite; - “Você está pronto?” Indagou. “Se está pegue sua bagagem e vamos, não temos mais tempo a perder, a viagem é longa”.

Não lembro de haver tomado banho ou trocado de roupa, estava um pouco sonolento. Daquele momento, apenas me recordo que peguei minha mochila que estava pronta num canto. Antes de sair, tive o impulso de olhar para trás, e vi sobre minha cantoneira o relógio que marcava vinte quatro horas, e o seu calendário que já começava remover a data do dia 20 de novembro de 1987.

Dei uma última olhada em direção ao leito e vi que minha roupa de cama, que estava desarrumada, formava um estranho volume, mas não dei importância para o fato. Tranquei a porta, sai para o corredor, mas meu velho mestre não estava esperando, ele era mais ansioso do que eu, e, certamente, já estava lá na rua. Tomei o elevador, passei pela portaria, o vigia dormia, acordei-o e perguntei: – “O senhor viu se o Cel Rolim passou por aqui?” O porteiro respondeu sem abrir os olhos nocauteados pelo sono: – “Vi sim, ele passou, e está entrando naquele veículo prateado estacionado ali na esquina”. Corri a tempo de ver com certa dificuldade, o meu mestre no meio de uma neblina densa entrando num veículo estacionado. Apressei-me. Assim que cheguei, a porta do auto se abriu, sentei-me ao lado dele cansado pela correria. O chofer cumprimentou-me sem olhar para trás, só dizendo duas palavras: - “estão prontos senhores, podemos ir?” – Sim afirmou o Coronel. Fui tomado por um sono profundo, não vi nem ouvi mais nada.

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