sábado, 18 de outubro de 2008

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A CÂMARA DE PRATA


Fantástico! Atravessamos, a porta que também se constituía num enorme bloco de granito impossível de ser removido por mãos humanas sem maquinários, pois a mesma estava entalada nas paredes do corredor, e a um toque das mãos do guia em um dos cantos da porta, foi como se nós tivéssemos sido sugados pelo seu interior até cairmos no chão do outro lado.

O guia não se estatelara no chão e assim aguardava em pé até que nós nos recompuséssemos, para então prosseguirmos na caminhada através de um corredor úmido. Perdi a noção do tempo, se é que tive alguma noção do mesmo desde que se iniciou àquela viagem fantástica. Chegamos ao termino do corredor que parecia infinito, havia um lago profundo, fruto de uma correnteza subterrânea, era necessário atravessá-lo pois estávamos do lado oposto da Câmara de Prata, ela era assim chamada, porque suas paredes emitiam um intenso brilho, cor prata, e esta ficava na outra margem do lago.

Recebemos ordem do guia para abrirmos nossa mochila e trocarmos de roupa para fazermos a travessia, porém minha surpresa só estava começando, ao abrir a bagagem não encontrei minhas roupas, o que acabei retirando da mochila foi um traje semelhante a um macacão todo prateado que me cobria dos pés até o pescoço, ele se fechava pela frente, não tinha zíper e nem botão, era uma espécie de tecido aderente que se fechava de forma justa no corpo, fazendo com que eu e o Coronel nos movêssemos com lentidão como se fossemos robôs, o mesmo não acontecia com nosso guia que se movia com impressionante agilidade dentro daquele uniforme.

O guia nos tranqüilizou dizendo, - em poucos instantes vocês vão se adaptar ao traje que vai estar em perfeita sintonia com a temperatura do corpo e da energia fluídica de cada um de vocês. - Agora ambos irão compreender, porque a escolha para esta viagem não poderia recair sobre qualquer mortal indiscriminadamente, pois um indivíduo sem as qualificações de vocês, ficaria prostrado no mesmo lugar, imóvel como chumbo. Assim falando, bastou um toque do dedo indicador do guia na correnteza, e dizendo algumas palavras, cujo significado não compreendi, no mesmo instante a água se acalmou e abriu-se ao meio, deixando um solo úmido e arenoso, mas firme para que pudéssemos chegar em segurança até o outro lado, naquele momento lembrei-me da travessia do mar vermelho feita por Moises e seu povo cativo do Egito, conforme relata o livro do “Êxodo”. Novamente não me deixaram fazer pergunta alguma, e logo eu que já estava com uma coceira danada na língua, ter que ficar calado diante de um feito daquela envergadura, haja disciplina!

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