segunda-feira, 13 de outubro de 2008

VOZES DA ALMA- V. I (P 7)

O ESPELHO

Hoje saí em lenta caminhada,
Objetivando conhecer o pomar.
Daquela bela morada celeste,
Que eu acabava de chegar.

Avisaram-me ser este pomar,
O espelho da minha última existência.
E que eu deveria visitá-lo,
E avaliar suas conseqüências.

Fui aproximando-me cautelosamente,
Estava um tanto ressabiado.
Pois se desvendar o futuro já assusta,
Imaginem exteriorizar fatos passados.

As flores simbolizavam a caridade,
Que pratiquei com esmero e carinho.
Mas o bem que deixei de fazer,
Acenava-me em forma de espinho.

Os frutos maduros representavam,
Os semelhantes à quem me dediquei.
Enquanto que os verdes simplesmente,
Foram sinceras amizades que renunciei.

As águas plácidas do lago,
Ao toque do vento perdiam a calma.
Em tempos de crise era mesmo assim,
Que ficava no íntimo a minha alma.

As revelações me surpreendiam,
E eu que me julgava um ser equilibrado.
Via minhas fraquezas jorrarem a cântaros,
Com todos os detalhes ali relembrados.

Entre surpreso e encantado,
Eu nem sabia o que falar.
Porque a verdade deste livro da vida,
Eu não tinha meios de apagar.


Poesia extraida do Livro Vozes da Alma.
Autoria: Leon Diniz.
Reg. de Direitos Autorais nº 322.435.
Livro 590. Folha: 95.
Fundação Bibliotéca Nacional. Ano 2004.

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