terça-feira, 13 de janeiro de 2009

VOZES DA ALMA - V.I ( P.11 )

REDIMINDO A ALMA

A chuva fina que cai nos campos,
Enfeita as colinas qual noiva deslumbrada.
Enquanto numa modesta casa de campo,
Eu voltava à Terra no início da alvorada.

Foi pleno o êxito da minha reencarnação,
Naquele pacato subúrbio de Madrí.
Amigos do astral festejavam junto berço,
O resultado do meu nascimento, pois nada sofri.

Ironicamente na parede sobre o meu berço,
Ao invés de um rosário com uma cruz.
Pendurada estava à capa de um toureiro,
Ao lado de uma bela espada que reluz.

Aqueles objetos estranhos para um bebê,
A mim pertenceram na existência passada.
Mas a foto sobre a mesa, era de um trovador,
Que colaborou para o meu retorno a esta pousada.

A meiga mamãe com alguns cabelos grisalhos,
Levava-me ao bosque para tomar sol.
Caminhando entre as flores do campo,
Embalava-me cantando um poema espanhol.

A nossa humilde choupana ao pé da serra,
Irradiava luz, alegria e muito amor.
Fui crescendo manipulando livros de Zoologia,
Deixado ali a muito, pelo aventureiro trovador.

Eu já era um rapazinho crescido,
Recebia em meus estudos inspirações do Astral.
Graças aos amigos do céu não me senti órfão,
Quando mamãe retornou a Pátria Sideral.

Em Madrí me tornei bastante conhecido,
Nunca me rendi ao peso vil do ouro.
Fiz milhares de campanha contra as touradas,
A dignidade e o caráter eram meu grande tesouro.


Poesia extraida do Livro Vozes da Alma.
Autoria: Leon Diniz.
Reg. de Direitos Autorais nº 322.435.
Livro 590.Folha: 95 .
Fundação Bibliotéca Nacional. Ano 2004.

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